terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Rihanna enche Pavilhão Atlântico e supera expectativas

Rihanna | Pavilhão Atlântico | Lisboa | 17 de Dezembro de 2011



Uma das jovens artistas mais badaladas da actualidade mostrou, com pompa e circunstância, porque tem mantido os seus mais recentes singles nos TOPs nacionais e internacionais do mundo musical. Rihanna veio a Portugal cantar as suas mais famosas músicas, tocando durante quase duas horas temas bem conhecidos do público português, que ecoou em uníssono com a artista todas as palavras de todas as canções durante todo o espectáculo.



A abertura do palco ficou a cargo do DJ Calvin Harris, com quem Rihanna partilha o sucesso musical "We Found Love". Por mais de uma hora, o escocês mixou temas que todos os presentes conheciam, aquecendo o público para um dos espectáculso mais aguardados do ano, que teve lotação esgotada no Pavilhão Atlântico. Milhares de pessoas esperavam impacientemente pela entrada da jovem de 23 anos, natural dos Barbados (Caraíbas), que entrou em palco pouco passava das 21h30.

A playlist contou com as mais variadas músicas, tendo Rihanna ido buscar singles dos seus primeiros CDs, como "Pon De Replay (Hey Mr. DJ)", "Umbrella", "Hate That I Love You" - que canta em parceria com Ne-Yo, "We Run The World", que canta com Jay-Z e Kanye West, "Love The Way You Lie (Part II)", que canta com Eminem, "Rude Boy", e claro que não podiam faltar músicas dos seus últimos dois álbuns - Loud, que deu o nome à tour e que andou a apresentar este último ano pelo mundo fora; e Talk That Talk, de onde foram extraídos três músicas que fizeram parte da setlist do concerto.

De Loud ouviram-se músicas como "What's My Name" que conta com a participação do rapper Drake, "S&M", "Only Girl (In The World)", "Man Down", "California King Bed", "Cheers (Drink To That)", "Raining Men" que canta em parceria com uma das novas promissoras vozes do rap feminino, Nicki Minaj, "Skin" e "Complicated".


O espectáculo, cheio de cor, rico em cenários originais e com uma produção de "se lhe tirar o chapéu", não teve paragens nem momentos mortos, nem mesmo quando a cantora teve de se retirar do palco para ir vomitar, entre a música "What's My Name" e "Rude Boy". A cantora colocou mais tarde no Twitter que se tinha sentido mal e teve de abandonar o espectáculo por minutos, apesar de nenhum dos presentes ter reparado em tal acontecimento,

Outro dos momentos marcantes do show foi quando Rihanna, no meio de uma música, se aproximou da plateia, apontou para uma jovem e disse "you with the glasses, come on up"; a jovem juntou-se a Rihanna no palco e foi "atirada" para o chão, tendo tido direito a uma private lap dance dada pela artista. Rihanna sentou-se em cima da fã, que se encontrava deitada no chão, e proporcionou-lhe um tipo de dança erótica que certamente deixou a jovem sem palavras e com memórias que jamais esquecerá.



O concerto terminou com "Cheers (Drink To That", que levou o público ao rubro, principalmente quando Rihanna presenteou um sortudo com os seus óculos Ray Ban, que atirou quando terminou a canção.

Foi então hora de esperar por um encore. Nem 5 minutos demorou Rihanna a voltar ao palco, por entre ecos e ovações. Voltou e em grande para cantar "Love The Way You Lie", "Unfaithful" e o mais esperado tema de todos, "We Found Love", para o qual contou com a colaboração de Calvin Harris, o DJ que horas antes tinha tocado o seu set no início do espectáculo.

Escusado será dizer que esta foi a música que mais saltos, berros, máquinas e telemóveis no ar, arrancou. O público perdeu a cabeça e cantou, do fundo dos seus pulmões, todas as palavras da música, assim como Rihanna havia pedido quando, antes de começar a cantar, disse "Portugal, I wanna hear you sing this next words with me!".



No final agradeceu, disse ter adorado o concerto. E nós esperamos que volte em breve.



Uma ressalva fica ainda por mencionar. Cerca de duas horas mais tarde, Rihanna postou no Twitter (a rede social que mais usa) que o concerto tinha sido lendário, com as palavras "Portugal was LEGENDARY!". No entanto, há ainda que lamentar o sucedido no hotel onde a artista ficou hospedada. Novamente pelo twitter, Rihanna partilhou com o mundo que sofreu de racismo no hotel que a tinha como hóspede. Nas palavras da mesma, Rihanna diz que encontrou o "racista mais c***** de sempre! O homem disse as coisas mais loucas sobre as mulheres negras. Chamou-nos cadelas, prostitutas e afirmou que nós não deveríamos estar hospedadas nos mesmos hotéis que os brancos". A artista referiu ainda que, nem é necessário dizer que "como é óbvio, a negra que há em mim saltou cá para fora, falei com sotaque dos Barbados e tudo", escreveu, com um toque de humor, revelador do modo como lidou com o caso. No fim, Rihanna chamou o gerente do hotel que, era também negro. O chamado karma ou destino é de facto o maior imperador desta história.

Esperemos apenas que as memórias do concerto não sejam "abafadas" por este pequeno incidente e que Rihanna não fique traumatizada com os acontecimentos. Os fãs certamente ficariam de rastos para azar do racista que, se algum dos fãs o encontrasse, certamente não iria gostar do encontro.


© Marta Ribeiro 

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Último dia de Marés Vivas - chuvoso mas poderoso

Festival Marés Vivas  | Gaia | 16 de Julho de 2011



E eis que passados dois dias de festa, boa música, boas vibrações (com Natiruts e Manu Chao, no primeiro dia), muito rock (com Skunk Anansie, Xutos & Pontapés) e electrónica (com Moby), chega o último dia, o dia da despedida.

Dia 16 de Julho contava com um cartaz eclético mas de categoria. Ao palco principal subiram Áurea, Tindersticks, The Cranberries e Mika. Já no palco Moche, a revelação portuguesa do youtube, Mia Rose, estreou-se em terrenos nortenhos, nervosa e tímida, cautelosa, sem saber o que esperar mas com uma vontade de conquistar todos os presentes. 

Mia Rose


Os Azeitonas

Os Azeitonas fecharam o palco secundário em grande, com o seu habitual espectáculo dedicado inteiramente à música portuguesa, um tanto ou quanto à Broadway style.
Num dia que prometia chuva, essa chegou mais cedo do que todos esperavam e chegou para ficar.
À hora marcada, 20h30, sem qualquer atraso, coube à jovem portuguesa vencedora de um Globo de Ouro de Artista Revelação/Intérprete Feminino – Áurea – abrir o palco para uma maré de gente que a poucos e poucos se aproximava do palco principal para aquele que prometia ser um grande concerto.
Descalça, com um vestido justo e elegante, eis que chega a grande voz portuguesa que, cantando em inglês, encantou todos os presentes com o seu estilo com tendências de soul, jazz e blues. A voz faz lembrar uma Amy Winehouse, com um quê de Joss Stone e Aretha Franklin, ou seja, uma mistura explosiva que só poderia resultar da melhor maneira possível.
Durante quase 1h30, Áurea esteve sempre a puxar pelo público, que não arredou pé de frente do palco, mesmo com a chuva a cair certeira em cada um, molhando até a cantora. Com uma energia incomparável, uma voz poderosa e uma presença em palco fumegante, cantou temas como “Busy (For Me) – o seu primeiro single, que cantou duas vezes, “Kiss”, de Prince, “No No No (I Don’t Wanna Fall In Love With You”, o seu segundo single, para o qual pediu a ajuda do público para cantar (que, diga-se de passagem, não hesitou em participar na cantoria), e o tema que a levou a subir pela primeira vez a um palco, “Ok, Alright”.

Áurea

Ainda não tinham soado as 10 badaladas, quando Tindersticks entraram em palco. Com um estilo musical em nada comparável com o de Áurea, surge uma setlist de música calmas, paradas, um rock clássico, nada agressivo, mas progressivo. A chuva teimava em não parar, e durante todo o concerto foram várias as vezes que os músicas da banda pararam de tocar os seus respectivos instrumentos para limpar ora as cordas das guitarras, ora os pratos da bateria, ora os pedais dos pianos. Problemas técnicos inerentes à meteorologia eram notórios: muitos feedback, instrumentos que não se ouviam, choques eléctricos em palco e até interferências nos monitores da banda. Um concerto bom mas calmo demais para um público que esperava e desesperava por The Cranberries.


Tindersticks 
Mas eis que então, por volta das 23h, entram os tão esperados. A banda comandada por uma Dolores O’Dorian vestida quase à militar, com um casaco de quadrados enchumaços e um quê de mulher de milícia.
Por entre sucessos, o público cantava em dupla voz com a vocalista, que aos saltos, cheia de uma energia inexplicável e banhada pela luz da lua (e pela chuva miudinha que caiu toda a noite), cantou “Just My Imagination”, “Analyse”, “Animal Instinct”, “Linger” e “Ode To My Family”, entre músicas menos conhecidas que, no entanto, todos os fãs cantavam a plenos pulmões.
Por entre saltos, guinchos e brincadeiras com a voz, fez-se todo o concerto. Nem os problemas técnicos que fizeram com que por mais de uma vez as luzes do recinto se apagassem abrandaram o ritmo contagiante do concerto. Quando chegou a altura de cantar “Salvation”, a vocalista pediu “uno menuto” (um minuto) ao público, e por segundos desapareceu do palco, para logo depois voltar a aparecer com um chapéu de índio na cabeça. Pouco depois abandonou o palco, numa ameaça de abandono. O público queria mais. Vários milhares de pessoas evocavam o nome da banda, pedindo só mais uma, ou duas, ou três. 

The Cranberries

E assim foi. Voltaram ao palco para cantar uma versão acústica de “Empty”, seguida de “Promises” e “Dreams”, que veio terminar o concerto em grande.
Todo ficaram desejados demais, mas dessa vez que abandonaram, foi para valer.
Com a promessa de um disco novo, The Cranberries abandonaram o palco, quase duas horas depois de terem começado um dos melhores concertos do dia. 


sábado, 16 de julho de 2011

Skunk Anansie (Marés Vivas)

Skunk Anansie | Festival Marés Vivas | 15 de Julho de 2011










segunda-feira, 11 de julho de 2011

Ana Free enche praça em Sto. Tirso e conquista tirsenses

Ana Free | Santo Tirso | 10 de Julho de 2011




Na primeira parte da noite, coube à prata da casa, Dan Riverman aquecer os tirsenses que encheram a praça 25 de Abril, em Sto. Tirso, ontem à noite, 10 de Julho.
Com uma voz rouca e poderosa, o tirsense apresentou originais e covers, fazendo com que o público não arredasse pé do recinto desde o início ao fim do concerto.

 Dan Riverman

 
Dan Riverman


O concerto do jovem terminou pouco passava das 22h30. A equipa técnica apressou-se então a preparar o palco para a tão esperada estreia de Ana Free em Sto. Tirso. E eis que, após de ser apresentada pelo mestre de cerimónias do evento, surge Ana. Guitarra ao peito. Salto alto. Sorriso na cara. No meio do espectáculo de fumos que se dava em cima daquele palco, começa a noite a cantar um dos seus últimos singles, música principal do seu EP "Radian" - Questions In My Mind.
Num público ao início tímido, alguns se aventuraram a bater palmas. Pouco a pouco os tirsenses cediam à simpatia contagiante da jovem e "davam-se" mais ao concerto.


 Ana Free

 
 Ana Free


O regresso aos palcos portugueses trouxe com ele uma mão cheia de novas músicas, assim como de covers e originais antigos que todos nós conhecemos. "Waka Waka" de Shakira e "California King Bed" de Rihanna fizeram parte da setlista da cantora, e arrancaram sorrisos e palmas de todos os presentes.
Quanto a originais, músicas como "Keep On Walking", "In My Place", "Medley Português" e "Try" não podiam faltar. Músicas novas? "Renegade", "Single Life", "Beautiful Tragedy", "Live It Up", e claro está, como não podia faltar, "Summer Love", o último single da cantora, gravado no Brasil em parceria com a dupla Claus e Vanessa, também fizeram parte da setlist. 

 Ana Free

É ainda importante mencionar a banda da jovem, composta de artistas de renome nacional e tão bem conhecidos do público português. O piano estava nas mãos de Ruben Alves, pianista do programa de TV "Operação Triunfo"; na guitarra, o já conhecido do Free World, Ricky; no baixo, Tiago; e por fim, na bateria, Fred Ferreira (filho do baterista dos Xutos & Pontapés, Kalú Ferreira). 

No fim do concerto, muitas foram as ovações, que "obrigaram" a artista a voltar para um encore. A praça, cheia, manteve-se inerte à espera do regresso da jovem... E ainda bem que o fizeram, pois tiveram a oportunidade de ouvir mais uma vez a voz doce da menina de 24 anos que revolucionou o mundo da música através do Youtube, e levou o nome de Portugal além fronteiras.



Algumas fotos do concerto:









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sexta-feira, 8 de julho de 2011

Ana Free em Santo Tirso

É já no próximo domingo, dia 10 de Julho, que a nossa luso-britânica favorita - Ana Free - vai estar presente nas festas de São Bento, em Santo Tirso.




Conhecida por ter colocado os seus vídeos no Youtube, já lá vão mais de 4 anos, Ana Free, uma jovem portuguesa de apenas 24 anos, já conta com um reperório e um portefólio musical invejável. Actualmente a morar em Londres, já actuou em festivais de Verão, concertos de enormes dimensões, um pouco por toda a parte. Abriu o palco para artistas de renome internacional como Shakira, James Morrison, Justin Nozuka, tendo ainda partilhado momentos de glória com a dupla brasileira Claus e Vanessa, com quem lançou um single de verão este ano, Summer Love .
A preparar o seu primeiro disco, após o lançamento do seu EP "Radian", Ana divide o seu tempo entre Londres, Portugal e os Estados Unidos, onde se tem vindo a tornar presença assídua para actuar, principalmente em Miami.
O último concerto que a jovem deu foi o mês passado, no mítico clube noturno de Londres, "The Borderline", onde já actuaram várias lendas mundiais.
Em Agosto, dia 13, Ana Free irá marcar presença no Festival de Verão - Super Bock Surf Fest, e irá partilhar o palco com artistas como Colbie Caillat, Ayo, Benny Benassi, entre outros.


O concerto no munícipio de Santo Tirso tem hora marcada para as 22h30 e a entrada é gratuita. Esperamos assim uma audiência repleta de miúdos e graúdos, fãs e apreciadores, que irão marcar presença no regresso da jovem aos palcos portugueses.


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terça-feira, 5 de julho de 2011

Rui Veloso - O Rock Português do "Chico Fininho"

Rui Veloso
Rui Veloso

 

Novos e velhos, pequenos e graúdos, ricos e pobres, todos conhecem o pai do Rock Português: Rui Veloso. Ainda que tenha começado a cantar e a compôr (juntamente com o amigo Carlos Tê) em inglês – pois, como o próprio diz “na altura era foleiro cantar em português” – o nortenho tornou-se um dos maiores artistas portugueses de todos os tempos e um ícone para qualquer músico ou aspirante a "rockeiro" em Portugal.


Nascido a 1957, em Lisboa, mudou-se para o Porto apenas com três meses de idade, e foi na Cidade Invicta que cresceu, criou raízes e se inspirou para compor alguns dos seus maiores sucessos, como “Chico Fininho”, “Não Há Estrelas No Céu”, “Porto Sentido”, entre inúmeros outros.


 

Rui Veloso
 

A música foi sempre um elemento imprescindível na vida de Rui Veloso. Apenas com 6 anos de idade, foi apresentado à harmónica, iniciando-se com esta no mundo musical.


Com 15 surgiu a curiosidade da guitarra, começando assim a aprender e descobrir os primeiros acordes, muito influenciado pelos Blues da altura e por aquele que sempre foi o seu ídolo, Eric Clapton. Uns anos mais tarde, conheceu o talentoso compositor Carlos Tê, que viria a tornar-se não só colega e colaborador de Rui, mas principalmente amigo e companheiro de aventuras musicais. Desde então, nunca mais se separaram e a magia que ambos optaram por começar a fazer, continua a ser feita, sempre de forma magistral e exemplar.


Em 1980, lança aquele que veio a ser o primeiro de muitos álbuns, “Ar de Rock”. Um ano mais tarde, apresenta um dos seus maiores sucessos, o single “Um Café E Um Bagaço”. O segundo álbum surge em 1982 e tinha o nome de “Fora De Moda”. Foi ainda neste ano que se deu um dos momentos que o cantor considera ter sido dos mais especiais e marcantes da sua vida, o nascimento da filha Joana. Apenas um ano mais tarde, volta a lançar um álbum, desta feita o “Guardador de Margens”. Após uma pequena pausa de 3 anos, surge com um novo álbum homónimo “Rui Veloso”. Seguiram-se mais 10 álbuns, no espaço de 23 anos. Dessa extensa discografia, vale a pena destacar “Lado Lunar” (1995), “Avenidas” (1998), “20 Anos Depois” (2000) e os dois últimos discos editados, “A Espuma das Canções” (2005) e “Rui Veloso Ao Vivo No Pavilhão Atlântico”, lançado no passado ano de 2009. No meio de tantos álbuns, teve ainda tempo para se dedicar de corpo e alma àquele que viria a tornar-se o seu mais “querido” projecto, a criação do Estúdio de Vale de Lobos, em 2002.

 

Rui Veloso + BB King

Rui Veloso e B.B. King
 

Mas não só de sucessos e álbuns a solo se faz este artista. Rui Veloso pode orgulhar-se de, no seu repertório, contar projectos e colaborações de nomes como Mariza, Nuno Bettencourt (dos Extreme), Xutos e Pontapés, João Gil, Jorge Palma e Tim (onde juntos, formavam os “Cabeças No Ar”), Sérgio Godinho, Luz Casal, Per7ume, Pedro Abrunhosa, Cristina Branco, entre outros.

Foi ainda com grande agrado que, no passado dia 30 de Janeiro, alguns fãs de boa música portuguesa assistiram no Coliseu do Porto, à colaboração (impulsionada pelo mesmo) de Sérgio Godinho, Pedro Abrunhosa, Rui Reininho e Rui Veloso, num serão que tratou de homenagear e celebrar – com muito ritmo e alegria – o dia 31 de Janeiro e os 100 anos de República. Foi a primeira vez que todos estes artistas portuenses se juntaram no mesmo palco, mas esperemos que não tenha sido a última.


 

Rui Veloso no Lisboa ao Parque (Parque Mayer)

Rui Veloso no Lisboa ao Parque (Parque Mayer - Fotos de Hugo Moura)
 

Com uma carreira com mais de 30 anos de sucessos, Rui Veloso pode-se orgulhar de carregar consigo a missão de espalhar o nome de Portugal e da música portuguesa, por todo o lado. Como prova de tal sucesso, chegou a ser premiado, em 2006, pelo Presidente da República, com a condecoração da Ordem do Infante D. Henrique. Em 2008, mais um prémio, desta vez, recebendo uma distinção pela Academia Francesa de Artes, Ciência e Letras pelo seu contributo às Artes e Cultura. É sem dúvida um dos nomes portugueses (e a cantar em português) mais importantes e influenciadores no meio musical no nosso país.

 

Rui Veloso

Rui Veloso - Mingos & Samurais
 

Esperemos que em breve nos brinde com mais uma ronda de novos sucessos e
originais, tão bons ou melhores do que os já conhecidos. “Ouvimo-nos” em breve, Rui!
 
© TuGuitarras & Marta Ribeiro 

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Entrevista: André Indiana & Mónica Ferraz

Falam sobre os seus projectos individuais e em conjunto  

André Indiana & Mónica Ferraz: falam sobre os seus projectos individuais e em conjunto
André Indiana & Mónica Ferraz
 

Marta Ribeiro: Antes de mais, a questão de ordem é: como surgiu a ideia de se juntarem e trabalharem em conjunto, com a mesma banda?
 
Mónica Ferraz: Olha, isso surgiu no final do meu disco… Eu tinha já as canções prontas e pensamos como é que podiamos levar isso para a estrada, e foi uma ideia que nos surgiu muito engraçada – 'porque não a mesma banda?', levar a mesma banda para a estrada e fazer dois concertos totalmente diferentes, num só.

MR: Porquê fazer dois álbuns e não apenas um, já que vocês estão a trabalhar em conjunto?
 
MF: Bem, uma das grandes razões é porque é o meu primeiro álbum, é uma coisa que vai ficar… E se fizessemos um álbum só, iria ficar sempre colada ao André Indiana, que já é o terceiro álbum que lança e eu queria ficar com o objecto 'físico' só para mim.. É um acto egoísta! (risos). 
 
André Indiana: Não, não… Eu acho que a Mónica como compositora, não tem nada a ver comigo. Pode ter algumas influências parecidas, mas são canções completamente diferentes e tem um estilo muito próprio dela, e eu como compositor, sou muito diferente da Mónica. Por isso, acho que não fazia muito sentido juntar, só se fizessemos uma banda ou qualquer coisa assim, mas agora como artistas individuais, não fazia muito sentido. 
 
MF: Apesar de nós termos pensado fazer capas, e as capas fluirem, as capas dos álbuns e fizemos! E cartazes, tudo o que está à volta do nosso espectáculo, se juntarmos, encaixam. Mas ao mesmo tempo, sobrevivem independentemente! Isso para criar uma ligação e uma ponte entre ambos os trabalhos… 
 
AI: Porque é verdade! Porque nós dividimos, ao longo de um ano talvez, dividimos o trabalho e gravamos os dois discos no mesmo estúdio, produzidos ambos por mim, e estivemos os dois na produção, a tocar os instrumentos, a escrever cada um para si, mas estivessemo juntos num estúdio, portanto os álbuns estavam ligados dessa forma, e aproveitamos para juntar capas e videoclipes, e tudo se junta… E nós também aproveitamos para nos juntar… À cabeçada! (risos)

MR: Porquê 'The Love Tour'?


AI: Acho que o mundo está a precisar de amor… O que é que achas Mónica? Eu acho que sim!


MF: Sabes o que é que acho? Eu acho que este nome, aliás, não acho, tenho a certeza… Este nome surgiu, porque nós somos quase como uma família, conhecemo-nos há muito tempo – os músicos, a equipa toda que anda na estrada… É quase como uma família, mesmo! Há muito amor entre nós e daí este nome, 'The Love Tour'.


AI: Sim, e acho que é uma coisa fixe para andar em digressão… O amor.


MF: Sim. Espalhar um bocadinho… 



André Indiana
André Indiana
   
MR: É óbvia a cumplicidade que há entre vocês. A partir de que momento é que essa amizade tão grande vos impulsionou a criar um projecto juntos?

AI: Foi mais ou menos a meio do processo do disco da Mónica… Quando chegamos à conclusão que precisavamos de levar os dois discos para a estrada, iam sair os dois no mesmo dia, íamos precisar de uma banda para levar para a estrada… Começamos a ver que gostavamos dos mesmos músicos, e acho que foi por aí.

MF: Sim… Está tudo interligado, foi como te tinha dito há um bocado…!

MR: O facto de serem ambos do Porto, veio certamente ajudar a essa
cumplicidade. Estão a gostar de trabalhar juntos?

MF: Claro que sim… É uma experiência nova para mim! Com os meses que passam, é uma coisa muito individual, é um bloco, não é? E isto de junta dois trabalhos, é uma experiência super nova, para além de ser novo em Portugal – juntar os dois concertos num só, uma só banda, com diferentes cenários… E é realmente uma experiência muito engraçada. Está ser e vai continuar a ser!

AI: E eu acho que a Mónica surpreendeu, a mim e a toda a gente, como compositora, não só como cantora. Eu sempre fui um fã da Mónica como cantora, mas agora está a revelar uma faceta como compositora e de 'arranjadora' que surpreendeu toda a gente, pelo menos quem tem ouvido, tem-se surpreendido. E tem uma grande noção de produção musical, também, que é uma coisa que pouca a gente sabe. Normalmente as pessoas vêem a Mónica cantar e pensam que é uma cantora, não é, simplesmente. E não, não é. É uma intérprete, é uma compositora também, e acho, muito competente.

MR: De onde é que surgiram os nomes dos vossos álbuns? Mónica, o teu 'Start Stop' e, André, o teu 'X-Glamour'?

MF: O meu surgiu porque um dos primeiros temas a ser escrito foi o 'Start Stop', daí a eu ter achado piada ao 'Start Stop', como álbum e capa de disco. Foi um dos primeiros temas, e foi isso que me levou a gravar o resto do álbum. Achei que fazia sentido esse nome.

AI: 'Start Stop'?

MF: Sim. (risos)

MR: E tu André, «X-Glamour'?

AI: 'X-Glamour' foi inspirado no Teatro Sá da Bandeira. Fomos lá tirar fotografias e o Teatro está podre mas tem glamour. Um glamour de antigamente, um x-glamour, mas que deu a volta tão bem que é mesmo glamouroso, e eu gosto de me comparar ao Teatro Sá da Bandeira. (risos).

MF: É engraçado, que têm-me feito a pergunta, em relação ao álbum, porquê 'Start' e 'Stop', dá a sensação que vou comecei e que… Mas, não vou começar e não vou acabar já, portanto, vão levar comigo!

MR: Mónica, este é o teu primeiro álbum a solo desde os Mesa. Porquê agora e porquê a solo?

MF: Eu já compunha há muito tempo, eu tenho um estudiozinho e tenho as minhas máquinas e vou compondo sempre, independentemente de já ter feito este álbum e de o ter lançado agora, eu continuo sempre a trabalhar nas minhas músicas. E este tempo foi como um clique. Há um clique normalmente que aparece e quando se diz 'isto está a ficar formado, está a crescer', portanto, começou por 'Start Stop' depois  'Love Burns', que é outro tema do meu álbum e começou a fazer sentido, neste momento. E era uma coisa que eu queria fazer já há algum tempo, lançar um disco só meu, escrito por mim – letras e música, e cá está. 



Mónica Ferraz

Mónica Ferraz

 
MR: O teu álbum é a solo mas andas a fazer uma parceira com o André. Há pessoas que podem ficar confusas e pensar 'mas afinal é a solo, mas ela está com o André?'.

MF: Não… É a solo. Foi tudo escrito por mim, mas foi produzido pelo André.

MR: Mas sentes-te mais independente agora, mesmo trabalhando com o André, do que com os Mesa?

MF: Não… São trabalhos totalmente diferentes. E olha, já que falas nisso, o inglês veio muito daí – separar águas. Os Mesa são uma coisa, a Mónica Ferraz é outra. Eu queria muito separar e queria muito que as pessoas se apercebessem que são coisas totalmente diferentes. Se eu cantasse em português, podiam associar aos Mesa, então daí surgiu a vontade de eu ter escolhido a língua inglesa.

MR: Como é que os fãs de ambos estão a reagir a esta parceria?

AI: Os fãs estão loucos! Acho que estão a reagir bem. E é como tu dizes, acho que é preciso mostrar às pessoas que as coisas são independentes; os meus discos são os meus discos, as minhas músicas são as minhas músicas, e as da Mónica são as da Mónica e não há aqui uma dependência… A única coisa que decidimos foi nos concertos utilizar a mesma banda e promover de alguma forma, os discos da mesma maneira. Agora, quem só gostar da Mónica não tem que levar comigo e quem só gostar de mim não tem que levar com a Mónica – somos independentes, 100% nos álbuns.

MR: Depois desta 'The Love Tour', podemos esperar mais uma parceria deste género para um futuro próximo? Já que está a correr tão bem…

MF: (risos) Não, ainda não estamos a pensar nisso. Estamos completamente focados nos discos que sairam agora, e focados nessa Love Tour.

MR: Mas acham que é uma experiência a repetir?

AI: (risos) Quem sabe, quem sabe…?

MF: Acho que sim, quem sabe? 

AI: Tem estado a correr muito bem… Está a correr fixe, por isso acho que sim!

MR: Para terminar, querem deixar alguma mensagem aos vossos fãs e aos nossos leitores do TuGuitarras?

MF: Sim! Olha, aproveitem e comprem o disco! (risos) Já está à venda na FNAC, em todas as FNACs e lojas de música e de discos, por isso aproveitem e comprem os nossos!

AI: Comprem os discos e comprem a música que gostam e não aquela que vos enfiam nos ouvidos!

MF: E aproveitem e apareçam aos concertos, porque acho que é um grave problema do povo português que não tem o hábito de ver espectáculos, de ver música ao vivo, e aproveitem e vão aos concertos…

AI: Sim, os nossos álbuns não fazem sentido sem público, como é evidente! Os concertos têm de ter público, as pessoas têm de ir às salas e não esperar ver tudo de graça, às vezes… É preciso ir às salas de espectáculo que elas estão aí espalhadas pelo país!



Obrigada ao André e à Mónica pela agradável conversa e óptima/descontraída entrevista.






© TuGuitarras & Marta Ribeiro