Falam sobre os seus projectos individuais e em conjunto
André Indiana & Mónica Ferraz
Marta Ribeiro: Antes de mais, a questão de ordem é: como surgiu a ideia de se juntarem e trabalharem em conjunto, com a mesma banda?
Mónica Ferraz: Olha, isso surgiu no final do meu disco… Eu tinha já as canções prontas e pensamos como é que podiamos levar isso para a estrada, e foi uma ideia que nos surgiu muito engraçada – 'porque não a mesma banda?', levar a mesma banda para a estrada e fazer dois concertos totalmente diferentes, num só.
MR: Porquê fazer dois álbuns e não apenas um, já que vocês estão a trabalhar em conjunto?
MF: Bem, uma das grandes razões é porque é o meu primeiro álbum, é uma coisa que vai ficar… E se fizessemos um álbum só, iria ficar sempre colada ao André Indiana, que já é o terceiro álbum que lança e eu queria ficar com o objecto 'físico' só para mim.. É um acto egoísta! (risos).
André Indiana: Não, não… Eu acho que a Mónica como compositora, não tem nada a ver comigo. Pode ter algumas influências parecidas, mas são canções completamente diferentes e tem um estilo muito próprio dela, e eu como compositor, sou muito diferente da Mónica. Por isso, acho que não fazia muito sentido juntar, só se fizessemos uma banda ou qualquer coisa assim, mas agora como artistas individuais, não fazia muito sentido.
MF: Apesar de nós termos pensado fazer capas, e as capas fluirem, as capas dos álbuns e fizemos! E cartazes, tudo o que está à volta do nosso espectáculo, se juntarmos, encaixam. Mas ao mesmo tempo, sobrevivem independentemente! Isso para criar uma ligação e uma ponte entre ambos os trabalhos…
AI: Porque é verdade! Porque nós dividimos, ao longo de um ano talvez, dividimos o trabalho e gravamos os dois discos no mesmo estúdio, produzidos ambos por mim, e estivemos os dois na produção, a tocar os instrumentos, a escrever cada um para si, mas estivessemo juntos num estúdio, portanto os álbuns estavam ligados dessa forma, e aproveitamos para juntar capas e videoclipes, e tudo se junta… E nós também aproveitamos para nos juntar… À cabeçada! (risos)
MR: Porquê 'The Love Tour'?
AI: Acho que o mundo está a precisar de amor… O que é que achas Mónica? Eu acho que sim!
MF: Sabes o que é que acho? Eu acho que este nome, aliás, não acho, tenho a certeza… Este nome surgiu, porque nós somos quase como uma família, conhecemo-nos há muito tempo – os músicos, a equipa toda que anda na estrada… É quase como uma família, mesmo! Há muito amor entre nós e daí este nome, 'The Love Tour'.
AI: Sim, e acho que é uma coisa fixe para andar em digressão… O amor.
MF: Sim. Espalhar um bocadinho…
André Indiana
MR: É óbvia a cumplicidade que há entre vocês. A partir de que momento é que essa amizade tão grande vos impulsionou a criar um projecto juntos?
AI: Foi mais ou menos a meio do processo do disco da Mónica… Quando chegamos à conclusão que precisavamos de levar os dois discos para a estrada, iam sair os dois no mesmo dia, íamos precisar de uma banda para levar para a estrada… Começamos a ver que gostavamos dos mesmos músicos, e acho que foi por aí.
MF: Sim… Está tudo interligado, foi como te tinha dito há um bocado…!
MR: O facto de serem ambos do Porto, veio certamente ajudar a essa cumplicidade. Estão a gostar de trabalhar juntos?
MF: Claro que sim… É uma experiência nova para mim! Com os meses que passam, é uma coisa muito individual, é um bloco, não é? E isto de junta dois trabalhos, é uma experiência super nova, para além de ser novo em Portugal – juntar os dois concertos num só, uma só banda, com diferentes cenários… E é realmente uma experiência muito engraçada. Está ser e vai continuar a ser!
AI: E eu acho que a Mónica surpreendeu, a mim e a toda a gente, como compositora, não só como cantora. Eu sempre fui um fã da Mónica como cantora, mas agora está a revelar uma faceta como compositora e de 'arranjadora' que surpreendeu toda a gente, pelo menos quem tem ouvido, tem-se surpreendido. E tem uma grande noção de produção musical, também, que é uma coisa que pouca a gente sabe. Normalmente as pessoas vêem a Mónica cantar e pensam que é uma cantora, não é, simplesmente. E não, não é. É uma intérprete, é uma compositora também, e acho, muito competente.
MR: De onde é que surgiram os nomes dos vossos álbuns? Mónica, o teu 'Start Stop' e, André, o teu 'X-Glamour'?
MF: O meu surgiu porque um dos primeiros temas a ser escrito foi o 'Start Stop', daí a eu ter achado piada ao 'Start Stop', como álbum e capa de disco. Foi um dos primeiros temas, e foi isso que me levou a gravar o resto do álbum. Achei que fazia sentido esse nome.
AI: 'Start Stop'?
MF: Sim. (risos)
MR: E tu André, «X-Glamour'?
AI: 'X-Glamour' foi inspirado no Teatro Sá da Bandeira. Fomos lá tirar fotografias e o Teatro está podre mas tem glamour. Um glamour de antigamente, um x-glamour, mas que deu a volta tão bem que é mesmo glamouroso, e eu gosto de me comparar ao Teatro Sá da Bandeira. (risos).
MF: É engraçado, que têm-me feito a pergunta, em relação ao álbum, porquê 'Start' e 'Stop', dá a sensação que vou comecei e que… Mas, não vou começar e não vou acabar já, portanto, vão levar comigo!
MR: Mónica, este é o teu primeiro álbum a solo desde os Mesa. Porquê agora e porquê a solo?
MF: Eu já compunha há muito tempo, eu tenho um estudiozinho e tenho as minhas máquinas e vou compondo sempre, independentemente de já ter feito este álbum e de o ter lançado agora, eu continuo sempre a trabalhar nas minhas músicas. E este tempo foi como um clique. Há um clique normalmente que aparece e quando se diz 'isto está a ficar formado, está a crescer', portanto, começou por 'Start Stop' depois 'Love Burns', que é outro tema do meu álbum e começou a fazer sentido, neste momento. E era uma coisa que eu queria fazer já há algum tempo, lançar um disco só meu, escrito por mim – letras e música, e cá está.
Mónica Ferraz
MR: O teu álbum é a solo mas andas a fazer uma parceira com o André. Há pessoas que podem ficar confusas e pensar 'mas afinal é a solo, mas ela está com o André?'.
MF: Não… É a solo. Foi tudo escrito por mim, mas foi produzido pelo André.
MR: Mas sentes-te mais independente agora, mesmo trabalhando com o André, do que com os Mesa?
MF: Não… São trabalhos totalmente diferentes. E olha, já que falas nisso, o inglês veio muito daí – separar águas. Os Mesa são uma coisa, a Mónica Ferraz é outra. Eu queria muito separar e queria muito que as pessoas se apercebessem que são coisas totalmente diferentes. Se eu cantasse em português, podiam associar aos Mesa, então daí surgiu a vontade de eu ter escolhido a língua inglesa.
MR: Como é que os fãs de ambos estão a reagir a esta parceria?
AI: Os fãs estão loucos! Acho que estão a reagir bem. E é como tu dizes, acho que é preciso mostrar às pessoas que as coisas são independentes; os meus discos são os meus discos, as minhas músicas são as minhas músicas, e as da Mónica são as da Mónica e não há aqui uma dependência… A única coisa que decidimos foi nos concertos utilizar a mesma banda e promover de alguma forma, os discos da mesma maneira. Agora, quem só gostar da Mónica não tem que levar comigo e quem só gostar de mim não tem que levar com a Mónica – somos independentes, 100% nos álbuns.
MR: Depois desta 'The Love Tour', podemos esperar mais uma parceria deste género para um futuro próximo? Já que está a correr tão bem…
MF: (risos) Não, ainda não estamos a pensar nisso. Estamos completamente focados nos discos que sairam agora, e focados nessa Love Tour.
MR: Mas acham que é uma experiência a repetir?
AI: (risos) Quem sabe, quem sabe…?
MF: Acho que sim, quem sabe?
AI: Tem estado a correr muito bem… Está a correr fixe, por isso acho que sim!
MR: Para terminar, querem deixar alguma mensagem aos vossos fãs e aos nossos leitores do TuGuitarras?
MF: Sim! Olha, aproveitem e comprem o disco! (risos) Já está à venda na FNAC, em todas as FNACs e lojas de música e de discos, por isso aproveitem e comprem os nossos!
AI: Comprem os discos e comprem a música que gostam e não aquela que vos enfiam nos ouvidos!
MF: E aproveitem e apareçam aos concertos, porque acho que é um grave problema do povo português que não tem o hábito de ver espectáculos, de ver música ao vivo, e aproveitem e vão aos concertos…
AI: Sim, os nossos álbuns não fazem sentido sem público, como é evidente! Os concertos têm de ter público, as pessoas têm de ir às salas e não esperar ver tudo de graça, às vezes… É preciso ir às salas de espectáculo que elas estão aí espalhadas pelo país!



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