sexta-feira, 1 de julho de 2011

Festival Marés Vivas 2010 - Rock Em Marés Bem Vivas (16 de Julho)

Gaia | 15, 16 e 17 Julho 2010


 
David Fonseca
David Fonseca no Festival Marés Vivas 2010
 
Se queremos falar em Rock no festival Marés Vivas, temos certamente de falar no dia 16 de Julho e em Placebo, David Fonseca, A Silent Film e André Indiana. Do cartaz, este é sem dúvida o dia mais “pesado”. E isso era bem visível no recinto – a cor predominante era o preto, as cores vivas do Verão esconderam-se por um dia, para certamente voltarem hoje, com Ben Harper como cabeça de cartaz.
 
Mas ontem, o dia contou com as actuações de André Indiana e Mónica Ferraz, e Os Azeitonas no Palco TMN Moche. André Indiana aproveitou para mostrar o seu mais recente trabalho “A.I. – X Glamour” e actuou na companhia da vocalista dos Mesa, Mónica Ferraz. À frente do palco, pouca gente se encontrava inicialmente, mas à medida que os minutos passavam e o rock aumentava, André Indiana viu a sua audiência aumentar substancialmente. O concerto terminou com “Busted”, que foi cantada a boas vozes por todo o público, por incentivo de Indiana.
 
André Indiana
André Indiana
 
André Indiana
André Indiana
 
André Indiana
André Indiana
 
Mais tarde subiram ao palco os nortenhos Azeitonas, que se depararam com bastantes dificuldades técnicas – o som do palco principal, onde na altura actuavam os A Silent Film, interferia com o seu som e “a prata da casa” não se conseguia ouvir a si mesma. Apesar de todas as dificuldades, com uma orquestra a rigor apresentaram os seus temas mais conhecidos como “Desenhos Animados”, “Quem És Tu Miúda?” e “Um Tanto Ou Quanto Atarantado”. Mas a música mais pedida pelo público era a balada “Anda Comigo Ver os Aviões”, que por pouco não entrava na setlist da banda. Após muitos pedidos, e apesar das más condições técnicas, o guitarrista Miguel AJ, ainda tendo o som dos A Silent Film nos seus monitores, cantou a bons pulmões a romântica balada e terminou a música a dizer “achavam que faziam mais barulho que uma banda do Porto? Como é que é isso?”, apontando para o palco principal.
 
Azeitonas no Festival Marés Vivas 2010
Azeitonas no Festival Marés Vivas 2010
 
Azeitonas
Azeitonas
 
Azeitonas
Azeitonas
 
Azeitonas
Azeitonas
 
Em simultâneo, actuavam no palco principal os A Silent Film. A banda britânica veio directamente de Oxford para Gaia para cantar algumas músicas do seu último álbum de originais, “The City That Sleeps”, lançado em 2009. O vocalista Robert Stevenson, com a sua voz marcante e a batida do seu rock, foi conquistando aos poucos o público, que a passo e passo se começava a aproximar do palco principal para ver e ouvir que os britânicos tinham para lhe dar. A banda cantou alguns dos seus temas mais conhecidos e terminou o concerto com chave de ouro, com aquela que provavelmente será a canção mais bem conhecida do público, “You Will Leave a Mark”.
 
À medida que o sol se escondia após um fantástico pôr-do-sol (que, diga-se de passagem, esteve a ser elogiado por Robert Stevenson durante todo o concerto) e dava azo para que a lua se erguesse no céu escuro da noite nortenha, o público esperava pelo português mais aguardado da noite: David Fonseca. O palco montou-se à sua figura, com imensos painéis luminosos e até uma cabine telefónica londrina. E eis que do meio de toda aquela luz, surge David Fonseca, enquanto das colunas saía o som de “I Want To Break Free” dos Queen, que serviu de abertura ao concerto do português.
 
David Fonseca
David Fonseca
 
David Fonseca
David Fonseca
 
O último álbum, “Between Waves” marcou presença numa noite que apesar de fria, aqueceu com este rock português. Mas não só de músicas novas se fez este concerto, e temas como “Kiss Me, Oh Kiss Me” também fizeram parte da lista de David Fonseca. Mas foi com “Someone That Cannot Love” que o público e David Fonseca se tornaram praticamente “um só”. Porém, o tema “Stop 4 a Minute” levou algumas pessoas às gargalhadas, quando o português resolveu “enganar” o público com os acordes que tocava na sua guitarra. Os acordes, remetiam à música dos Silence 4, “Borrow”, e o cantor apresentou-a dizendo, “Alguém se lembra de 1998? Este foi o ano em que esta canção esteve atrás de mim um pouco por todo o lado, um pouco por todo o sítio que eu andava, esta canção seguiu-me e é mais ou menos assim…” e ao contrário das primeiras palavras de Borrow, esperadas por toda a gente, Fonseca cantou “The Roof Is On Fire”, fazendo depois uma transição súbtil para a então “Stop 4 a Minute”.
 
O concerto do português ameaçava chegar ao final com um cover de “Girls Just Want To Have Fun”, que após um pedido de desculpas aos homens, foi especialmente dedicada ao público feminino da plateia. David Fonseca chegou mesmo a afirmar que, por muitos mais anos que viva, nunca conseguirá divertir-se tanto como as mulheres se divertem. O espectáculo terminou com “Silent Void” a ser cantada a plenos pulmões por uma plateia que certamente aproveitou cada minuto deste concerto.
 
Minutos depois, foi a vez dos Placebo subirem ao palco. Uma maré de gente enchia o recinto e andar por entre essa maré negra tornava-se uma tarefa difícil. A banda, que alternou entre músicas mais e menos conhecidas, e foi saltando de álbum para álbum, levou o público ao rubro – a multidão saltava e gritava a cada acorde dado pelo vocalista Brian Molko, que se dirigia ao público tratando-o por “Molko Boys and Molko Girls”. Músicas bem conhecidas dos fãs, como “Meds”, “Song To Say Goodbye”, “Infra-Red”, “Battle Of Sun” e “Breathe Unwater” foram alguns dos temas tocados pela banda de Molko. Houve até tempo para um cover inesperado da conhecida
canção “All Apologies” dos Nirvana.
 
Placebo
Placebo
 
Com o final do concerto dos Placebo, foi notória a “debandada” da multidão que, na sua maioria, resolveu abandonar a frente do palco principal. Porém, com a entrada em palco de Peaches, muitas foram as pessoas que sentiram curiosidade pela irreverência fora do normal da cantora, que entrou em palco vestida com um fato de penas, dos pés à cabeça, parecendo até uma imitação de um Abominável Homem das Neves, versão Peaches.
 
A vocalista cantou e encantou, numa noite em que as surpresas foram mais que muitas. Houve até tempo e oportunidade de algum crowd surfing por parte de Peaches – “Jesus Walks On The Water, Peaches walks on you”, disse a vocalista, que não se atirou para os braços do público português sem antes avisar que se a deixassem cair, o concerto terminaria naquele momento. Felizmente, nada disso aconteceu, e Peaches navegou numa maré de mãos bem lusitanas. 


© TuGuitarras & Marta Ribeiro

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