Festival Marés Vivas | Gaia | 16 de Julho de 2011
E eis que passados dois dias de festa, boa música, boas vibrações (com Natiruts e Manu Chao, no primeiro dia), muito rock (com Skunk Anansie, Xutos & Pontapés) e electrónica (com Moby), chega o último dia, o dia da despedida.
Dia 16 de Julho contava com um cartaz eclético mas de categoria. Ao palco principal subiram Áurea, Tindersticks, The Cranberries e Mika. Já no palco Moche, a revelação portuguesa do youtube, Mia Rose, estreou-se em terrenos nortenhos, nervosa e tímida, cautelosa, sem saber o que esperar mas com uma vontade de conquistar todos os presentes.
Mia Rose
Os Azeitonas
Os Azeitonas fecharam o palco secundário em grande, com o seu habitual espectáculo dedicado inteiramente à música portuguesa, um tanto ou quanto à Broadway style.
Num dia que prometia chuva, essa chegou mais cedo do que todos esperavam e chegou para ficar.
À hora marcada, 20h30, sem qualquer atraso, coube à jovem portuguesa vencedora de um Globo de Ouro de Artista Revelação/Intérprete Feminino – Áurea – abrir o palco para uma maré de gente que a poucos e poucos se aproximava do palco principal para aquele que prometia ser um grande concerto.
Descalça, com um vestido justo e elegante, eis que chega a grande voz portuguesa que, cantando em inglês, encantou todos os presentes com o seu estilo com tendências de soul, jazz e blues. A voz faz lembrar uma Amy Winehouse, com um quê de Joss Stone e Aretha Franklin, ou seja, uma mistura explosiva que só poderia resultar da melhor maneira possível.
Durante quase 1h30, Áurea esteve sempre a puxar pelo público, que não arredou pé de frente do palco, mesmo com a chuva a cair certeira em cada um, molhando até a cantora. Com uma energia incomparável, uma voz poderosa e uma presença em palco fumegante, cantou temas como “Busy (For Me) – o seu primeiro single, que cantou duas vezes, “Kiss”, de Prince, “No No No (I Don’t Wanna Fall In Love With You”, o seu segundo single, para o qual pediu a ajuda do público para cantar (que, diga-se de passagem, não hesitou em participar na cantoria), e o tema que a levou a subir pela primeira vez a um palco, “Ok, Alright”.
Áurea
Ainda não tinham soado as 10 badaladas, quando Tindersticks entraram em palco. Com um estilo musical em nada comparável com o de Áurea, surge uma setlist de música calmas, paradas, um rock clássico, nada agressivo, mas progressivo. A chuva teimava em não parar, e durante todo o concerto foram várias as vezes que os músicas da banda pararam de tocar os seus respectivos instrumentos para limpar ora as cordas das guitarras, ora os pratos da bateria, ora os pedais dos pianos. Problemas técnicos inerentes à meteorologia eram notórios: muitos feedback, instrumentos que não se ouviam, choques eléctricos em palco e até interferências nos monitores da banda. Um concerto bom mas calmo demais para um público que esperava e desesperava por The Cranberries.
Tindersticks
Mas eis que então, por volta das 23h, entram os tão esperados. A banda comandada por uma Dolores O’Dorian vestida quase à militar, com um casaco de quadrados enchumaços e um quê de mulher de milícia.
Por entre sucessos, o público cantava em dupla voz com a vocalista, que aos saltos, cheia de uma energia inexplicável e banhada pela luz da lua (e pela chuva miudinha que caiu toda a noite), cantou “Just My Imagination”, “Analyse”, “Animal Instinct”, “Linger” e “Ode To My Family”, entre músicas menos conhecidas que, no entanto, todos os fãs cantavam a plenos pulmões.
Por entre saltos, guinchos e brincadeiras com a voz, fez-se todo o concerto. Nem os problemas técnicos que fizeram com que por mais de uma vez as luzes do recinto se apagassem abrandaram o ritmo contagiante do concerto. Quando chegou a altura de cantar “Salvation”, a vocalista pediu “uno menuto” (um minuto) ao público, e por segundos desapareceu do palco, para logo depois voltar a aparecer com um chapéu de índio na cabeça. Pouco depois abandonou o palco, numa ameaça de abandono. O público queria mais. Vários milhares de pessoas evocavam o nome da banda, pedindo só mais uma, ou duas, ou três.
The Cranberries
E assim foi. Voltaram ao palco para cantar uma versão acústica de “Empty”, seguida de “Promises” e “Dreams”, que veio terminar o concerto em grande.
Todo ficaram desejados demais, mas dessa vez que abandonaram, foi para valer.
Com a promessa de um disco novo, The Cranberries abandonaram o palco, quase duas horas depois de terem começado um dos melhores concertos do dia.

























