segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Guano Apes: O reviver de duas décadas

Guano Apes | Coliseu do Porto | 17 de Fevereiro de 2012



Desenganem-se os que pensam que os Guano Apes já deram o que tinham a dar, que anos e anos na estrada deitam abaixo os verdadeiros roqueiros. Não. Nada disso. Apesar de termos em palco uma banda mais madura, bem segura de si mesma, mais calma e ponderada, continuamos a ver um espírito irreverente, cheio de força e vontade de abanar e levantar as pedras da calçada.
E foi isso mesmo que aconteceu neste último concerto da Bel Air Tour.

Coliseu do Porto, 17 de Fevereiro de 2012: foi aqui, nesta data, neste sítio, que os alemães Guano Apes decidiram dar o último concerto da sua turnê, Bel Air, homónima do seu último álbum, lançado a meio do passado ano de 2011. Apesar do adiamento (o concerto deveria ter tido lugar em Outubro de 2011) por lesão da vocalista Sandra Nasic, os fãs não hesitaram em marcar presença na emblemática sala de espectáculos da Invicta.
Não, o Coliseu não estava cheio, nem de longe nem de perto, mas decerto não podemos contestar que aqueles que estiveram presentes no espectáculo fizeram valer por todos os que não puseram os pés no coliseu naquela noite - e nem sabem eles o que perderam.
Certo será dizer que em palco vimos uma Sandra Nasic mais calma, ponderada e madura, claro está, mas com o mesmo vigor e fogo que nos apresentou na década de 90, onde os Guano Apes eram ainda uns “bebés” da rock scene.



As filas que se formaram na entrada do Coliseu não faziam prever uma enchente. Por volta das 21h começaram a aglomerar-se algumas pessoas, de forma ordeira e calma, que pacientemente aguardavam até que lhes fosse autorizada a entrada no recinto. Sem empurrões nem correrias, houve espaço para todos.

Por volta das 22h, e sem banda de abertura, as luzes apagaram-se e os berros de excitação começaram a ouvir-se: tudo indicava que a hora estava aí, os Guano Apes iam entrar em palco. 
E pouco depois se ouviam os primeiros acordes de “Quietly”, de 2003, uma das músicas mais conhecidas e que mais agrada ao público. Seguiram-se temas de vários álbuns, sem nunca descurar o álbum que deu nome à tour, Bel Air. E foi mesmo desse mais recente trabalho de onde saiu a segunda música tocada pela banda naquela noite; “Oh What A Night” amenizou os ânimos de um público ainda a meio gás, mas que se encontrava ainda em aquecimento... 

“You Can’t Stop Me”, “Open Your Eyes”, “Sunday Lover” e “Pretty In Scarlet”, dos antecessores álbuns, foram as músicas que mais palavras, saltos, palmas e cânticos arrancaram dos fãs presentes. De Bel Air, soaram ainda as músicas “Fire In Your Eyes”, “She’s a Killer”, “Tiger”, “All I Wanna Do”, onde Sandra contou com a colaboração do público, interagindo com o mesmo e perguntando aos presentes “what do you want to be?” ao que estes responderam, embora fora de ritmo (apesar das diversas tentativas da vocalista) “I wanna be your baby!”, arrancando sorrisos e gargalhadas da jovem cantora; este foi um momento tão especial que até o baterista da banda, Dennis Poschwatta, perdeu uma das suas baquetas e sentiu-se impelido a auto-comiserar-se, começando a bater com o microfone de Sandra na cabeça... Seguiram-se “When The Ships Arrive”, “Fanman” e “This Time”, que fechou o concerto com chave de ouro.


A banda saiu de palco e nem 5 minutos passaram até que reaparecessem no meio de névoas de luzes para cantar as quatro últimas músicas da Bel Air Tour: “Plastic Mouth”, que se ficou apenas pelo instrumental, dando uns minutos à vocalista para descansar e recuperar energias; “Staring At The Sun”, e as duas mais aclamadas pelos miúdos e graúdos presentes - a cover dos Alphaville, “Big In Japan” e a estrondosa “Lord Of The Boards”, que quase mandou um coliseu a baixo, tamanhos foram os saltos, os moches e os crowd surfing.


 



Diversidade foi algo que não faltou neste concerto, pois houve um equilíbrio perfeito entre os sucessos dos alemães e as novas músicas de um recente Bel Air, que muitos fãs admitiram não ter ou pouco conhecer.
Foi um concerto que deu para velhos e novos fãs, para admiradores muito ou pouco fanáticos, para jovens dos 20 aos 40 que procuraram neste concerto um reviver de festivais, de memórias, de vidas adolescentes onde a banda sonora das suas aventuras passou muitas vezes por uma cassete ou um CD de Guano Apes.
E quantas mais vezes a banda voltar a Portugal, quantas mais memórias serão revivivas.

Mais fotos em baixo: 




© Marta Ribeiro

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